O que será de um país que tem até o presidente do Congresso Nacional sendo investigado por corrupção? Nem os mais otimistas portugueses contemporâneos de Michelângelo ousariam apostar que a terra recém-descoberta e habitada parcialmente por índios e coberta por uma exuberante natureza poderia um dia se tornar um país grande e coeso.
Mais de 500 anos depois, aquela terra que viveu saques impiedosos de seus colonizadores durante mais de 300 anos hoje vê seu próprio povo sendo saqueado por aqueles que deveriam zelar do bem público.
Infelizmente, notícias de criminosos travestidos de políticos se tornaram corriqueiras e a sociedade brasileira já se sente anestesiada pelos sucessivos escândalos políticos.
Mas desta vez a situação é mais grave.
Na lista de Janot estão nomes de pessoas que ocupam e ocuparam cargos importantíssimos no cenário político brasileiro. O presidente do Senado e, por conseguinte presidente do Congresso Nacional, o presidente da Câmara, a ex-ministra da Casa Civil, o ex-ministro das Minas e Energia (ministério da qual faz parte a esfacelada Petrobras), a ex-governadora do Maranhão e um ex-ministro da Saúde são apenas alguns dos exemplos que mostram que a nossa política está apodrecida e fétida, apesar de não ser novidade alguma. Até a presidente do país foi citada nas delações premiadas.
Ao fim de mais este capítulo da Lava Jato, temos a nítida impressão de que o mensalão foi apenas uma brincadeirinha de criança perto deste que, até o presente momento, se mostra o maior caso de corrupção da história do país.
Se no passado os lusitanos enxergavam na nova colônia um imenso celeiro de riquezas facilmente subtraídas, nos dias atuais muitos políticos vêm na carreira profissional que inventaram a oportunidade perfeita de se apoderarem do alheio de maneira descarada, irresponsável e vergonhosa.
Os 47 políticos que recheiam a Lista de Janot são inocentes até que se prove o contrário. Porém, acreditar na inocência de todos não é apenas ser ingênuo, mas também ser totalmente desprovido de inteligência.
vertiginosamente o valor de mercado de uma das maiores empresas do planeta. A abertura de inquéritos da Operação Lava Jato contra políticos, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), traz a fase mais aguardada daquela que é, segundo o Ministério Público Federal, “
a maior investigação de corrupção da história do país”.
O Congresso em Foco reproduz abaixo a íntegra desses pedidos, com as respectivas suspeitas que recaem sobre os personagens do escândalo político que sacode a República, como os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Também publicamos as justificativas dos arquivamentos dos casos considerados frágeis pelos procuradores, como as citações envolvendo os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Delcídio do Amaral (PT-MS) e o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Baseados nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, principal operador do esquema, os pedidos narram suspeitas que, a partir de agora, serão investigadas. Ainda não há acusação formal contra nenhuma das 49 pessoas que serão investigadas. Entre elas, 47 políticos (12 senadores, 22 deputados, uma ex-governadora e 12 ex-deputados), o tesoureiro do PT e um lobista apontado como intermediário do PMDB no esquema. O STF também arquivou casos contra sete políticos por falta de indícios de prática de crime, conforme recomendação da Procuradoria-Geral da República.
Paulo Roberto contou que agia para beneficiar políticos do PP, responsáveis por sua indicação, e do PMDB, que o ajudaram a se manter no cargo. Mas contou que também prestou serviços para políticos do PT. Os ex-diretores Nestor Cerveró, apontado como peça-chave na parte do esquema que envolve o PMDB, e Renato Duque, citado como operador do PT, não aceitaram a delação premiada, mecanismo que prevê a redução da pena em troca da colaboração efetiva com as investigações. Os dois negam participação no esquema.
Clique no inquérito ou petição para ler a investigação:
Inquérito 3883 – lavagem de dinheiro
Fernando Collor (PTB-AL) – senador
Petição 5252 – corrupção e lavagem de dinheiro
Edison Lobão (PMDB-MA) – senador
Roseana Sarney (PMDB-MA) – ex-governadora
Petição 5254 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Aníbal Gomes (PMDB-CE) – deputado
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado
Petição 5255 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Edison Lobão (PMDB-MA) – senador, ex-ministro
Petição 5256 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Humberto Costa (PT-PE) – senador
Petição 5257 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Gleisi Hoffmann (PT-PR) – senadora
Petição 5258 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Lindbergh Farias (PT-RJ) – senador
Petições 5260, 5276, 5277, 5279, 5281, 5289 e 5293 – quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Afonso Hamm (PP-RS) – deputado
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – deputado e ex-ministro das Cidades
Aline Corrêa (PP-SP) – ex-deputada
Aníbal Gomes (PMDB-CE) – deputado
Arthur Lira (PP-AL) – deputado
Carlos Magno (PP-RO) – ex-deputado
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador
Dilceu Sperafico (PP-PR) – deputado
Eduardo da Fonte (PP-PE) – deputado
Fernando Antônio Falcão Soares – apontado como operador do PMDB no esquema
Gladson Cameli (PP-AC) – senador
Jerônimo Goergen (PP-RS) – deputado
João Pizzolatti (PP-SC) – ex-deputado
João Leão (PP-BA) – ex-deputado, é vice-governador da Bahia
João Vaccari Neto – tesoureiro do PT
José Linhares (PP-CE) – ex-deputado
José Otávio Germano (PP-RS) – deputado
Lázaro Botelho (PP-TO) – deputado
Luiz Argôlo (SD-BA) – ex-deputado
Luiz Carlos Heinze (PP-RS) – deputado
Luiz Fernando Faria (PP-MG) – deputado
Mário Negromonte (PP-BA) – ex-deputado, é conselheiro do TCM-BA
Missionário José Olímpio (PP-SP) – deputado
Nelson Meurer (PP-PR) – deputado
Pedro Corrêa (PP-PE) – ex-deputado, cumpre pena do mensalão
Pedro Henry (PP-MT) – ex-deputado, cumpre pena do mensalão
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado
Renato Molling (PP-RS) – deputado
Roberto Balestra (PP-GO) – deputado
Roberto Britto (PP-BA) – deputado
Roberto Teixeira (PP-PE) – ex-deputado
Romero Jucá (PMDB-RR) – senador
Sandes Junior (PP-GO) – deputado
Simão Sessim (PP-RJ) – deputado
Valdir Raupp (PMDB-RO) – senador
Vilson Covatti (PP-RS) – ex-deputado
Waldir Maranhão (PP-MA) – deputado
Petição 5262 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Valdir Raupp (PMDB-RO) – senador
Petição 5264 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Vander Loubet (PT-MS) – deputado
Cândido Vaccarezza (PT-SP) – ex-deputado
Petição 5265 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Otávio Germano (PP-RS) – deputado
Petição 5267 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
João Pizzoatti (PP-SC) – deputado
Petições 5268 e 5285 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Arthur de Lira (PP-AL) – deputado
Benedito Lira (PP-AL) – senador
Petição 5269 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Simão Sessim (PP-RJ) – deputado
Petição 5274 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Aníbal Gomes (PMDB-CE) – deputado
Renan Calheiros (PMDB-AL) – presidente do Senado
Petição 5278 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – presidente da Câmara
Petição 5280 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
João Pizzolatti (PP-SC) – ex-deputado
Petição 5282 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Mentor (PT-SP) – deputado
Petição 5284 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Arthur Lira (PP-AL) – deputado
Benedito de Lira (PP-AL) – senador
Petição 5290 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
João Pizzolatti (PP-SC) – ex-deputado
Petição 5291 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
João Pizzolatti (PP-SC) – ex-deputado
Roberto Teixeira (PP-PE) – ex-deputado
Remetidos à Justiça Federal
Petição 5263Antonio Palocci (PT-SP) – ex-ministro e ex-deputado
Petição 5286 – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
João Pizzolatti (PP-SC) – ex-deputado
Pedro Corrêa (PP-PE) – ex-deputado
Casos arquivados
Petições 5261 e 5288Ciro Nogueira (PP-PI) – senador
Observação: investigações continuam em relação ao deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), arrolado nas mesmas petições
Petição 5272Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) – ex-deputado e ex-presidente da Câmara
Petição 5283Aécio Neves (PSDB-MG) – senador, ex-candidato à Presidência da República
Petição 5287 (arquivado e remessa dos autos ao STJ) – corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) – deputado
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador